Para Sempre – Os Imortais – Alyson Noël

Para Sempre - Os Imortais

Para Sempre - Os Imortais

Ever Bloom tinha uma vida perfeita: era uma garota popular, acabara de se tornar líder de torcida do principal time da escola e morava numa casa maravilhosa, com o pai, a mãe, uma irmãzinha e a cadela Buttercup. Nada no mundo parecia capaz de interferir em sua felicidade, o céu era o limite! Até que um desastre de automóvel transformou tudo em um pesadelo angustiante. Ever perdeu toda a sua família. Mudou de cidade, de escola, de amigos, e agora, além de todas essas transformações em sua vida, ela precisa aprender a conviver com uma realidade insuportável: após o acidente, ela adquiriu dons especiais. Ever enxerga a aura das outras pessoas, pode ouvir seus pensamentos e, com um simples toque, é capaz de conhecer a vida inteira de alguém. É insuportável. Ela foge do contato humano, esconde-se sob um capuz e não tira dos ouvidos os fones do i-pod, cujo som alto encobre o som das mentes a seu redor. Até que surge Damen. Tudo parece cessar quando ele se aproxima. Só ele consegue calar as vozes que a perturbam tão intensamente. Ever não entende o porquê disso, mas é incapaz de resistir à paz que ele lhe proporciona, à sensação de, novamente, ser uma pessoa normal. Ela não faz ideia de quem ou o quê Damen realmente é. Sua única certeza é estar cada vez mais envolvida… e apaixonada.

Leia um trecho do Livro

— Adivinha!
As mãos quentes e úmidas de Haven apertam minhas bochechas, e seu anel, um
crânio de prata escurecido, deixa uma marca de sujeira sobre minha pele. E mesmo
que meus olhos estejam cobertos e fechados, sei que os cabelos dela, tin gidos de preto,
estão partidos ao meio; um espartilho de vinil preto se sobrepõe a uma blusa
de gola rulê — mantendo-se em conformidade com o código de vesti menta de
nossa escola; a saia comprida de cetim preto, apesar de nova, já tem um furo próximo
à bainha, de quando ela pisou com o bico das botas Doc Martens; os olhos
parecem dourados, mas só porque ela está usando lentes de contato amarelas.
Também sei que o pai dela não está viajando “a trabalho”, como ele mesmo
disse; que o personal trainer de sua mãe é muito mais “personal” que
“trainer” e que o irmão caçula quebrou um CD dela, do Evanescence, e agora
está com medo de contar.
Mas não sei isso tudo porque andei bisbilhotando a vida dela, nem porque
alguém me contou. Sei porque tenho poderes sobrenaturais.
— Anda logo, adivinha! Daqui a pouco o sinal vai tocar! — ela diz com a
voz rouca, como se fumasse um maço de cigarros por dia, embora só tenha
tentado fumar uma vez.

Enrolo um pouco enquanto penso na última pessoa com quem ela gostaria
de ser confundida.
— Hilary Duff?
— Eca! Vai, tenta de novo. — Ela aperta ainda mais forte, nem sequer desconfiando
de que não preciso ver para saber.
— Será a sra. Marilyn Manson?
Ela ri e desencosta as mãos, e então lambe o polegar para apagar a tatuagem
de sujeira em minha bochecha, mas levanto o braço antes que ela possa
me alcançar. Não porque tenha nojo da saliva dela (quer dizer, sei que Haven
não tem doença nenhuma), mas porque não quero que encoste em mim novamente.
O toque humano é muito revelador, muito cansativo, então procuro
evitá-lo a todo o custo.
Com um gesto rápido, ela tira o capuz de minha cabeça e aperta os olhos
ao ver meus fones de ouvido.
— O que você está ouvindo?
Levo a mão ao bolsinho para iPod que costurei no capuz de todos os meus
moletons (para esconder dos professores os tão conhecidos fiozinhos brancos)
e entrego a ela o aparelho.
— Puxa… — ela diz com os olhos arregalados. — Quer dizer, que barulheira
é essa? Quem é que está cantando isso?
Haven se curva para que nós duas possamos ouvir Sid Vicious berrando
sobre a anarquia no Reino Unido. Na verdade, nem sei se ele é a favor ou
contra. Sei apenas que berra o suficiente para dar uma acalmada em meus
supersentidos.
— Sex Pistols — respondo, desligando o iPod e guardando-o de volta no
esconderijo.
— Nem sei como você pôde me ouvir. — Haven sorri ao mesmo tempo
que o sinal toca.
Simplesmente dou de ombros. Não preciso escutar para ouvir. Claro, não é
isso que digo a ela. Falo apenas que a gente vai se ver de novo na hora do
almoço e vou para minha aula, atravessando o campus da escola e encolhendo-
me ao intuir os dois garotos que se aproximam pelas costas de Haven e
pisam a bainha da saia dela — por pouco não a fazem cair. Mas quando ela se
vira para trás, faz o sinal do Mal (certo, não é o sinal do Mal, mas algo que ela
mesma inventou) e os encara com aqueles olhos amarelos, eles imediatamente
se afastam e a deixam em paz. Quanto a mim, suspiro aliviada e entro na

sala de aula, sabendo que não vai demorar muito até que eu deixe de sentir a
energia persistente do toque de Haven.
A caminho de minha carteira, no fundo da sala, desvio-me da bolsa que
Stacia Miller deixou de propósito em meu caminho e ignoro a serenata —
“Per-de-do-ra!” — que ela diariamente sussurra ao me ver. Em seguida, acomodo-
me na carteira, tiro livro, caderno e caneta da mochila, coloco os fones
de ouvido, visto o capuz, jogo a mochila na carteira vazia a meu lado e espero
pela chegada do sr. Robins.
O sr. Robins está sempre atrasado. Sobretudo porque gosta de tomar uns
goles de seu cantil de prata entre uma aula e outra. Mas bebe apenas porque
a mulher grita com ele o tempo todo, a filha o considera um fracassado e ele,
quase sempre, detesta a própria vida. Descobri tudo isso em meu primeiro dia
nesta escola, quando acidentalmente toquei na mão dele ao entregar o formulário
de transferência. Agora, portanto, sempre que tenho de lhe entregar algo,
deixo na beirada da mesa.
Fecho os olhos e espero, enquanto meus dedos deslizam pelo moletom, a
fim de trocar o barulhento Sid Vicious por algo mais leve, mais tranquilo. A
gritaria de Sid não é mais necessária agora que estou na sala de aula. Acho
que a relação entre professor e alunos ajuda a conter, pelo menos até certo
ponto, minha energia mediúnica.
Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal,
do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e
tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los
num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma
irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome
Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no
Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano,
pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola.
Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode
ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura
verdade.
No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só
me lembro claramente de uma coisa: eu morri.
Tive o que as pessoas chamam de “experiência de quase-morte”, ou EQM.
Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de“quase” no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos

Autor

Alyson Noël

Alyson Noël

Ela foi criada em Orange County, Califórnia, com a participação Richard Nixon Elementary School, durante dois anos . Viveu em Mykonos,  Grécia  depois de sair do ensino médio. Depois ela se mudou para Manhattan, New York , onde trabalhou como assistente de bordo para uma grande companhia, passando o seu maior tempo livre viajando e ficando longe do estilo de vida suburbano, e aproveitando-se desta viagens começou a escrever, a sua primeira novela foi Faking 19.

Ficha Técnica

I.S.B.N.: 9788598078625
Cód. Barras: 9788598078625
Reduzido: 2849593
Altura: 23 cm.
Largura: 16 cm.
Profundidade: 1 cm.
Edição : 1 / 2009
Idioma : Português
País de Origem : Brasil
Número de Paginas : 304