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Gravidez na Adolescência  

Meu filho adolescente está triste ou deprimido?

      Um estudo recente da Universidade Federal do Paraná com quase 500 adolescentes mostrou que mais de 20% deles apresentavam sintomas de depressão – as meninas, 2,6 vezes mais do que os meninos. "É um dos reflexos das pressões econômicas e sociais", avalia o coordenador da pesquisa, o psiquiatra e professor Saint-Clair Bahls. "Em países do Primeiro Mundo, onde a qualidade de vida é melhor, esse índice é de 10%."
      Os hormônios femininos, segundo Saint-Clair, contribuem para a maior incidência de depressão entre as mulheres, em qualquer idade. "Na adolescência, as exigências também são maiores para elas. Sofrem com as competições para ver quem tem o corpo mais perfeito, quem é a mais bonita, quem conquista mais os meninos", exemplifica o psiquiatra.

      É muito difícil determinar o que é normal e o que é doença.

      A adolescência é a fase da vida onde esta dificuldade fica ainda maior.
      É uma fase naturalmente agitada, tanto no organismo - pela inundação hormonal-quanto no social e afetivo- pelo surgimento do desejo pelo sexo oposto.
Ela pode interferir de maneira significativa na vida diária, nas relações sociais e no bem estar geral, podendo levar ao suicídio.
      Nos últimos 20 anos, o índice de suicídios entre adolescentes triplicou, sendo então de fundamental importância, que pais e professores tenham um mínimo de conhecimento da doença para poder reconhecê-la, e ajudar ao adolescente.
      A primeira coisa que temos que aprender, é que depressão é uma doença como qualquer outra e para ela a melhor solução continua sendo o tratamento médico, que na maioria das vezes dá bons resultados; no entanto com freqüência os jovens não reconhecem que estão deprimidos e relutam em comunicar a outros, seus sentimentos de tristeza ou falta de esperança.

      O importante é cuidar

      A origem da doença ainda não é questão resolvida para a ciência. Os especialistas apontam um conjunto de fatores, que vai desde a predisposição genética a aspectos circunstanciais, como o uso de algum medicamento ou a perda de alguém na família. "É difícil definir uma causa. Quando há um fator genético, por exemplo, muitas vezes não se consegue determinar se o quadro depressivo do adolescente é uma expressão hereditária ou da convivência com um familiar que tem o problema", explica a psiquiatra Lee Fu I, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
      Para os pais, importa mais saber dos sintomas. Ansiedade e agressividade são alguns dos sinais da depressão, mas esses comportamentos podem ser vistos pela família do adolescente como típicos da idade. "É preciso cuidado, pois o sofrimento do filho pode passar despercebido. Os pais devem ficar atentos à intensidade e à permanência dessas emoções e observar o quanto o filho parece envolvido por elas", esclarece a psiquiatra Lee.
      O alerta é importante, porque a depressão pode ser tratada, de modo a livrar seu filho de sérios prejuízos emocionais e também físicos – sabe-se que o organismo deprimido fica vulnerável a doenças. O tratamento envolve terapia, combinada com medicamentos nos casos mais acentuados. Muitas vezes, a iniciativa de procurar ajuda médica ou um especialista precisa ser da família.

      Critérios para diagnóstico de depressão

      (Segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição).

      • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
      • Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
      • Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
      • Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
      • Fadiga ou perda de energia;
      • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
      • Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
      • Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
      • Idéias recorrentes de morte ou suicídio.

      De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos;
      1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
      2) Distimia: 3ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
      3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

      Os sintomas da depressão interferem drasticamente com a qualidade de vida e estão associados a altos custos sociais: perda de dias no trabalho, atendimento médico, medicamentos e suicídio. Pelo menos 60% das pessoas que se suicidam apresentam sintomas característicos da doença.
      Embora possa começar em qualquer idade, a maioria dos casos tem seu início entre os 20 e os 40 anos. Tipicamente, os sintomas se desenvolvem no decorrer de dias ou semanas e, se não forem tratados, podem durar de seis meses a dois anos. Passado esse período, a maioria dos pacientes retorna à vida normal. No entanto, em 25% das vezes a doença se torna crônica.

      Depressão na infância e adolescência

      Depressão é uma doença crônica, recorrente, muitas vezes com alta concentração de casos na mesma família, que se manifesta não só em adultos, mas também em crianças e adolescentes. Qualquer criança ou adolescente pode ficar triste, mas o que caracteriza os quadros depressivos nessas faixas etárias é o estado persistentemente irritado, tristonho ou atormentado que compromete as relações familiares, as amizades e a performance escolar.
      Em pelo menos 20% dos pacientes com depressão instalada na infância ou adolescência, existe risco de surgirem distúrbios bipolares, nos quais fases de depressão se alternam com outras de mania, caracterizadas por euforia, agitação psicomotora, diminuição da necessidade de sono, idéias de grandeza e comportamentos de risco.
      Antes da puberdade, o risco de apresentar depressão é o mesmo para meninos ou meninas. Mais tarde, ele se torna duas vezes maior no sexo feminino. A prevalência da enfermidade é alta: depressão está presente em 1% das crianças e em 5% dos adolescentes.
      Ter um dos pais com depressão aumenta de 2 a 4 vezes o risco da criança. O quadro é mais comum entre portadores de doenças crônicas como diabetes, epilepsia ou depois de acontecimentos estressantes como a perda de um ente querido. Negligência dos pais ou violência sofrida na primeira infância também aumenta o risco.
      É muito difícil tratar depressão em adolescentes sem os pais estarem esclarecidos sobre a natureza da enfermidade, seus sintomas, causas, provável evolução e as opções medicamentosas.
      Uma classe de antidepressivos conhecida como a dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, paroxetina, citalopran, etc.) é considerada como de primeira linha no tratamento da depressão em crianças e adolescentes. Os estudos mostram que 60% desses pacientes respondem ao tratamento. Esses medicamentos apresentam menos efeitos colaterais e risco de complicações por overdose menor do que outras classes de antidepressivos. A recomendação é iniciar o esquema com 50% da dose e depois ajustá-la no decorrer de três semanas de acordo com a resposta e os efeitos colaterais. Obtida a resposta clínica, o tratamento deve ser mantido por seis meses, no mínimo, para evitar recaídas.
      A terapia comportamental mostrou eficácia em ensaios clínicos, e parece dar resultados melhores do que outras formas de psicoterapia. Através dela os especialistas procuram ensinar aos pacientes como encontrar prazer em atividades rotineiras, melhorar relações interpessoais, identificar e modificar padrões cognitivos que conduzem à depressão.
      Outro tipo de psicoterapia eficaz em ensaios clínicos é conhecida como terapia interpessoal. Nela, os pacientes aprendem a lidar com dificuldades pessoais como a perda de relacionamentos, as decepções e frustrações da vida cotidiana. O tratamento psicoterápico deve ser mantido por seis meses, no mínimo.
      Como o abuso de drogas psicoativas e suicídio são conseqüências possíveis de quadros depressivos, os familiares devem estar atentos e encaminhar os doentes a serviços especializados assim que surgirem os primeiros indícios de que os problemas da depressão possam estar presentes.

      Como agir com um adolescente deprimido?

      Se suspeitar que um jovem está deprimido é importante, com muita paciência, carinho e compreensão, estimulá-lo a falar dos seus sentimentos e dos seus sintomas,para esclarecimento dos fatos.
      Geralmente o adolescente deprimido tem dificuldade em se abrir e acha que os outros não o entenderão,além disso, pode estar envergonhado com o que está lhe acontecendo e pode também achar que não vale a pena se abrir,que não vai adiantar nada e resolver se calar.
      É importante lhe explicar sobre a depressão e sobre a necessidade de procurar um médico imediatamente.
      O tratamento poderá ser somente com antidepressivos, ou poderá haver necessidade de outras medidas tais como psicoterapia, terapia familiar, ou outras, dependendo da gravidade do quadro ou da situação.
      Uma depressão leve não tratada, ou tratada de forma inadequada, pode se cronificar afetando definitivamente a qualidade de vida, ou se agravar, com todas suas possíveis consequências.

      Em resumo:a depressão no adolescente pode ser às vezes difícil de ser reconhecida.
      Uma vez pensada esta possibilidade, é importante falar sobre as soluções. Ficar dando conselhos para mudar o estilo de vida,ou ficar criticando o estilo de vida do deprimido, além de não ajudar a resolver, o empurra mais pra baixo, fazendo-o se sentir mais incompetente e desamparado.

fontes:drauziovarella.ig.com.br
       josemol.com.br
        abril.com

 


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